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Cáritas Brasileira inicia o Programa Pana em sete cidades para a integração de imigrantes no Brasil

23 de outubro de 2018

Em parceria com a Cáritas Suíça, a Cáritas Brasileira iniciou, em sete capitais do país, o Programa Pana.  Uma iniciativa de acolhida, proteção e integração de imigrantes no Brasil.

O nome do programa, Pana, é uma palavra da língua indígena Warao, que significa amigo. Os waraos são uma etnia indígena venezuelana fortemente atingida pela crise política e econômica do país. Fugindo da crise e da fome, foram os primeiros a atravessar a fronteira e chegar a Pacaraima (RR) em busca de ajuda e formas de sobrevivência.

De acordo com o assessor nacional da Cáritas Brasileira, Wagner Cesario, o nome do Programa marca a identidade da ação. “Queremos, à medida que estamos realizando as iniciativas previstas no Pana, construir laços de amizade entre os povos. O programa tem como missão acolher os imigrantes venezuelanos a partir de Boa Vista e depois proporcionar a integração em mais seis cidades por meio do acesso aos direitos relacionados à saúde, educação e inclusão produtiva. A nossa expectativa é que nesses lugares os imigrantes sejam bem acolhidos não apenas pelas nossas equipes, mas por toda comunidade eclesial e por toda a sociedade”, afirma.

Ação integrada

O assessor também apresentou as cidades que já contam com as equipes multidisciplinares do Programa. “As sete capitais envolvidas no Pana são Boa Vista, Porto Velho, Brasília, Recife, São Paulo, Curitiba e Florianópolis. Essas cidades de referência foram escolhidas por serem grandes áreas metropolitanas que favorecem a integração dos imigrantes, partindo do nosso ponto focal que é Boa Vista”, explica.

As equipes que atuam nas sete cidades atendidas pelo Programa Pana se reuniram em Brasília para um momento de integração e formação.

Entre as iniciativas previstas no Pana estão ações de assistência emergencial, entre elas o acesso a itens de primeira necessidade como alimentos, roupas e medicamentos. O Programa dará ainda acesso à moradia, através do aluguel subsidiado de casas ou apartamentos, oportunidade de formação em vista de trabalho e renda, aulas de português, assistência jurídica e psicológica.

“A ideia é que em cada local nós tenhamos uma equipe multidisciplinar que possa favorecer o acesso dos imigrantes às redes que promovem a vida, nós queremos que a partir da ação, não só da Cáritas, mas também de outras entidades parceiras, os imigrantes possam se integrar aos poucos. Nós entendemos que a Cáritas não atua sozinha para a integração, mas precisa, junto à sociedade civil e também aos governos, promover esse trabalho que é bastante desafiador, mas muito evangélico, no sentido de nós, como Jesus nos pede, trabalharmos para acolher aquele que chega de um lugar distante, que passa por uma situação de pobreza, que está com fome, com sede, que precisa de uma roupa ou que está doente. Então, esse é o momento em que nós como cristãos, como Igreja, como Cáritas somos chamados a essa missão de acolher integralmente”, explica Wagner Cesario.

De portas abertas

O Programa vai contribuir direta e indiretamente com a integração de imigrantes e brasileiros nas sete capitais atendidas, e conta com recursos dos Estados Unidos, como explica a coordenadora júnior da Cáritas Suíça que acompanha as ações do Pana, Rebekka Reischmann. “Nós esperamos alcançar diretamente 3.500 pessoas entre imigrantes venezuelanos e de outras nacionalidades, além de brasileiros. Indiretamente nosso objetivo é alcançar 28.500 pessoas. Apesar de ter, nesse primeiro momento, o foco nos imigrantes venezuelanos, e do Programa ter nascido nesse contexto de grande fluxo de venezuelanos para o Brasil, o Pana não é um programa fechado, a ideia é que, por exemplo, a Casa de Direitos que é uma das ações, seja um espaço aberto para qualquer pessoa em situação de migração, refúgio ou solicitante de refúgio que precise de assistência jurídica”, destaca.

O Programa Pana pretende contribuir com o preenchimento de algumas lacunas críticas na assistência humanitária e na integração local dos solicitantes de refúgio e imigrantes venezuelanos no Brasil. Mas também será uma porta aberta para imigrantes de qualquer outra nacionalidade. “O próprio termo integração, que está no coração do Programa Pana, já diz que a gente não pode trabalhar só com um grupo de venezuelanos, porque a integração pressupõe a inserção de qualquer pessoa nas comunidades”, afirma Rebekka.

As equipes locais do Pana são multidisciplinares. Psicólogos, assistentes sociais, advogados, educadores sociais e profissionais de administração trabalham juntos para promover a acolhida, proteção e integração de imigrantes.

A coordenadora também chama atenção para um avanço na perspectiva da acolhida que é a estratégia de superar a lógica dos abrigos e afirmar a dinâmica da integração a partir da inserção dos imigrantes nas cidades e nos bairros, onde a vida acontece para todas as pessoas. “Hoje nós temos o exemplo da Europa, que há muito tempo vive as ondas migratórias, onde é muito forte a criação de guetos, então pra gente trabalhar na perspectiva do combate a xenofobia ou a qualquer forma de exclusão é importante proporcionar uma integração dos imigrantes com os brasileiros e dos brasileiros com os imigrantes, e isso se dá no cotidiano, sem separações, por isso a opção de proporcionar moradia subsidiando, num primeiro momento, o aluguel de casas ou apartamentos para os imigrantes acolhidos no Pana”, destaca.

Promover acolhida

Entre os dias 8 e 11 de outubro, a Cáritas Brasileira reuniu as equipes das sete cidades que estão envolvidas no Pana, num encontro de formação em Brasília. Durante o encontro a venezuelana Marifer Vargas, que atua na equipe do Pana em São Paulo como educadora social trouxe para o grupo o contexto sócio, político e econômico das pessoas que hoje vivem na Venezuela. “Somos um país maravilhoso, com gente muito boa e forte, mas somos vítimas de uma crise política, social e econômica que está nos obrigando a deixar o nosso país para procurar em outros países que estão nos acolhendo, melhores condições de vida e a proteção necessária. Neste momento, na Venezuela, a fome não tem poupado ninguém. Atinge desde pessoas que apoiam o governo e os que não apoiam, os que tem doutorado e aqueles que nunca frequentaram a escola. Desde as crianças que estão nas creches até os jovens que estão nas universidades, então é isso que precisamos lutar para mudar”, afirma Marifer.

O Programa Pana pretende motivar e inspirar pessoas e grupos para a acolhida solidária de imigrantes, isso já está acontecendo no Paraná. “Nós fizemos um diálogo com as dioceses, com os bispos, sobre essa possibilidade de que as paróquias também acolham pequenos grupos que possam promover essa integração com acesso ao trabalho, educação, saúde e convivência saudável para os imigrantes. Nesse processo, dentro do espaço de 15 dias de diálogos, quatro paróquias já se colocaram a serviço nessa disposição de acolhimento, e tem sido muito bonita essa experiência”, destaca a assessora da Cáritas Brasileira Regional Paraná, Márcia Ponce.

Por Jucelene Rocha, Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira

Fotos: Jucelene Rocha e Osnilda Lima

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