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Cáritas Brasileira desenvolve novo projeto humanitário para migrantes e refugiados

14 de agosto de 2019

Segundo dados da OIM (Organização Internacional para Migrações), no final de julho deste ano foram contabilizados 3.631 migrantes e refugiados venezuelanos desabrigados em Boa Vista, no estado em Roraima, fronteira com a Venezuela. Desses dados, 1451 são homens, 1012 mulheres e 1168 são menores de 18 anos. Essas pessoas estão dormindo em espaços públicos abertos ou em edifícios/estruturas públicos ou privados ocupados. Essa ocupação se dá pela superlotação dos abrigos para migrantes e refugiados em Boa Vista e Pacaraima.

Yaniza Del Valle Rojas, 20 anos, é uma dessas migrantes desabrigadas. A jovem de 20 anos chegou em maio a capital Boa-vistense. Com uma filha de um ano, ela tem sofrido as dificuldades e necessidades de viver em situação de rua. “Não temos trabalho, comida, assistência médica para os nossos filhos, remédios e nem escola para as crianças”, desabafou.

A jovem relatou também que até para beber água é difícil e ainda mais para irem ao banheiro. “Tento ir para a rodoviária para beber água, às vezes pedimos nos restaurantes e também nas casas das pessoas e o banheiro tentamos utilizar os que ficam próximo ao Hospital da Criança, quando não dá temos que ir em algum quintal baldio”, explicou.

Considerando a atual emergência em Roraima, diante da crise humanitária que o país vizinho vivência (Venezuela), a Cáritas Brasileira em parceria com a Cáritas Diocesana de Roraima está desenvolvendo um novo projeto social, que visa promover o abastecimento de água, saneamento e promoção de higiene para a população em situação de rua. O projeto chama-se Orinoco: Águas que atravessam fronteiras, e conta com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID/OFDA).

Equipe do projeto Orinoco aplicando o questionário para saber o comportamento de higiene dos migrantes que vivem em situação de rua. Fotos: Evilene Paixão

CONSTRUÇÕES

 O Projeto vai atender famílias em extrema situação de vulnerabilidade, com construção de banheiros, espaços para banho com chuveiros, lavanderia e instalações de bebedouros, além de promover a saúde e higiene para as pessoas que vivem desabrigadas na cidade de Boa Vista e em Pacaraima. Na capital os locais de construção serão na Igreja Nossa Senhora da Consolata, bairro São Vicente, e na Igreja Santo Agostinho, bairro Pricumã. Em Pacaraima, as famílias serão assistidas com as instalações nas dependências da igreja Nossa Senhora Perpétuo Socorro, onde já acontece, de segunda a sábado o Café Fraterno para mais de mil migrantes, além do Centro de Formação Pastoral, ao lado do Ginásio Esportivo de Pacaraima, que também receberá o novo projeto humanitário.

Para a coordenadora do projeto, Veridiana Pereira, a expectativa é melhorar as condições e vida dessa população, garantindo os direitos básicos, tais como: o acesso à água, saneamento e higiene. “Queremos, principalmente, resgatar a dignidade dessas pessoas, que já sofreram com essa migração forçada e ainda sofrem quando chegam aqui ao permanecerem na rua, então, queremos oferecer pelo menos o básico, melhorando sua condição de saúde e sua vida”. Enfatizou.

Com o projeto, além da garantia da higiene básica, pretende-se levar a dignidade das pessoas que se encontram em situação de rua, oferecendo locais adequados para a higienização, o que evita consequentemente a proliferação de doenças. As instalações estão sendo projetadas e serão geridas por uma equipe multidisciplinar de profissionais que estão trabalhando exclusivamente no projeto.

 

Sustentabilidade é aliada da responsabilidade social

 O acesso à água potável garante a dignidade dos moradores de rua, pois, possibilita o acesso a itens básicos para garantia da saúde, além dessa característica social, o projeto Orinoco também está engajado na sustentabilidade ambiental para a distribuição destes bens. Por isso, a água potável para consumo e banho das unidades será armazenada a partir de um sistema sustentável de captação da água da chuva.

Além das instalações permanentes, haverá banheiros químicos ligados ao sistema de esgoto municipal para o uso sanitário adequado fora do ambiente de atendimento dos espaços construídos. Esses banheiros serão equipados com a fundação de luzes solares individuais, visando não sobrecarregar o sistema energético do Estado. Mesmo com foco na população migrante, qualquer morador ou moradora de rua poderá utilizar as instalações, o objetivo é atender pessoas que necessite do serviço de garantia da higiene básica, sem qualquer discriminação de nacionalidade.

 

Orinoco: Águas que atravessam Fronteiras

 O nome do projeto faz alusão ao Orinoco, principal rio da Venezuela, que está entre uma das maiores bacias hidrográficas da América do Sul. O Orinoco abrange um quarto do território da Colômbia e se interliga ao Brasil a partir das águas do Rio Negro, formando o rio Amazonas. O projeto que tem nome de rio pretende trazer o ensinamento das águas amazônicas: não há fronteiras intransponíveis. O Orinoco torna-se parte do território com fluidez e naturalidade na sua importância simples de ser água sempre em movimento.

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