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Cáritas Brasileira apoia e incentiva a produção de energia solar fotovoltaica em municípios do estado da Paraíba

22 de março de 2019

O Projeto Semiárido Solar executado pela Cáritas Brasileira, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, e apoiado pela Misereor da Alemanha  aposta na energia elétrica produzida a partir de luz solar

Existe ainda um longo caminho a percorrer para conscientização e sensibilização dos governos locais e da população em geral, sobre a necessidade de mudanças de hábitos quanto ao papel das fontes de energias renováveis – biomassa e solar – para enfrentar as mudanças climáticas. Precisa, urgentemente, transformar em politicas públicas a rica experiência dos movimentos sociais no que concerne à convivência com o semiárido.

No caso do Brasil, existem poucas instalações em residências e pequenos comércios. São um pouco mais de 20 mil instalações descentralizadas, representando pouco mais de 1 gigawatt de potência instalada. Valor ainda irrisório, comparado à potência total instalada, e prevista, de centrais fotovoltaicas – unidades centralizadas –, que começam a ser construídas principalmente no Nordeste brasileiro. Atenta-se assim, pelo desmatamento provocado, no bioma Caatinga, cuja situação é de extrema preocupação, visto que somente restam 50% de sua cobertura original.

O Projeto Semiárido Solar executado pela Cáritas Brasileira, em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, e apoiado pela Misereor da Alemanha, nos anos de 2016 a 2018, procurou trabalhar o fortalecimento de alternativas em áreas vulneráveis aos efeitos negativos das mudanças climáticas, em três municípios do semiárido paraibano: Patos, Pombal e Souza. As ações desse projeto foram bastante promissoras, conseguindo fortalecer esses municípios como pioneiros na inovação e uso de tecnologias energéticas.

Nesse projeto, a abordagem da questão das mudanças climáticas esteve intimamente conectada com a questão energética, principalmente, no uso descentralizado das energias renováveis, em especial a solar fotovoltaica, para geração de eletricidade a partir da luz solar. Foram várias as experiências implantadas beneficiando famílias, grupos e comunidades, com destaque para instalações de placas fotovoltaicas em empreendimentos comunitários, com geração de energia para despolpagem de frutas; captação de água para irrigação; uso eficiente da biomassa para redução do desmatamento da Caatinga – Implementação de fogão eficiente e biodigestores para produção do biogás e biofertilizantes. Foram desenvolvidos ainda, através de diversas capacitações, temáticas para alcance da eficiência energética – uso eficiente –, com envolvimento de representantes de poderes públicos para introdução de ações nas administrações municipais, parceiros e populações urbana e rural.

Implantação das placas para captação da energia solar no Sítio Monte Alegre, propriedade de Isaías de Sousa, em Pombal (PB).

Autonomia das comunidades – O que sem dúvida se tornou essencial e vem orientando essas ações é a garantia da autonomia das comunidades atendidas, nessa região, fortalecendo o protagonismo, e efetivamente apresentando propostas concretas com relação à produção econômica e proteção ao meio ambiente. Neste sentido, o papel do projeto tem sido de atuar fortalecendo a capacidade de decisão dos grupos beneficiários, para que caminhem com independência, na construção de políticas e de ações públicas que atendam seus interesses, além de promover uma articulação entre as entidades e organismos sociais que atuam junto às comunidades.

Vivemos tempos de incertezas e insegurança com ataques direto à democracia com politicas contrárias aos interesses das populações de municípios pobres. Os diferentes projetos que atuam no enfrentamento das mudanças climáticas e na implantação de iniciativas sustentáveis de convivência com os territórios, sofrerão descontinuidade em suas ações.

De toda forma, há sinais positivos de que cresce em todas as frentes de ação a percepção de que é fundamental a valorização das práticas autônomas nos territórios, relativizando, mas sem deixar de lado, as lutas que dependem da mediação de instituições governamentais e de políticas públicas.

As organizações da sociedade civil possuem um papel muito importante por serem laboratórios de políticas públicas com ações capazes de transformar a vida das pessoas que vivem no semiárido. Hoje, mais do que nunca, em função das disputas que existem na sociedade, em relação ao modelo de desenvolvimento do país, os movimentos sociais, igrejas, organizações de trabalhadores rurais, e mesmo órgãos governamentais que atuam na linha do desenvolvimento sustentável e na convivência com o Semiárido, cumprem um relevante papel de apontar caminhos, a partir de práticas participativas junto às comunidades e povos tradicionais, no Semiárido brasileiro.

Por João Paulo Couto – Assessorar Nacional da Cáritas Brasileira

 

 

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