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Cardeal Tagle indica a cultura do encontro como contraponto à crise migratória

13 de junho de 2018

A conferência de abertura do Seminário Internacional de Migrações e Refúgio, conduzida pelo presidente da Cáritas Internationalis, Cardeal Antonio Tagle, foi marcada por uma reflexão sobre a Cultura do Encontro diante dos desafios da mobilidade humana internacional. Esse momento foi realizado, na tarde dessa terça-feira (12), no auditório do Centro Cultural Brasília que reuniu migrantes, refugiados, agentes Cáritas e representantes de outras organizações envolvidas na temática.

O arcebispo de Manila, nas Filipinas, também abordou o contexto atual das migrações, explicitando, como causas desse processo, o sistema mercantil que tem prevalecido sobre a valorização humana e provocam a exclusão social e o individualismo, situação que ganha forma social no etnocentrismo, na xenofobia nacionalista, nas discriminações racial e religiosa. “Precisamos nos perguntar se o crescimento econômico que exclui a maior parte da humanidade é crescimento genuíno ou injustiça legitimada. Os pobres desaparecem como seres humanos em um sistema econômico injusto”, salientou.

Esse quadro pode ser revertido, segundo o cardeal, a partir do momento em que as pessoas possam tocar as feridas dos pobres e não apenas considerar estatísticas. “Necessitamos de uma autocrítica e autoexame para renovar as mentalidades e atitudes que promovam a comunhão. Necessitamos de estruturas sociais que permitam o florescimento dos valores de comunhão e solidariedade”, disse.

Essa nova configuração da sociedade, dentro da perspectiva da migração, passa pela cultura do encontro. Para Dom Tagle, há muitas pessoas que têm medo do migrante e do refugiado, mas nem ao menos os conhecem. “Mediante o encontro, tocando as feridas, escutando as histórias e sonhos, podemos refletir e nos ver neles. Poderia ser eu mesmo, poderiam ser meus pais, meus irmãos e irmãs, meu amigo. Só assim posso começar a compartilhar a viagem. Suas viagens se convertem na nossa”, exemplificou.

Motivados pelas palavras do Cardeal Tagle os participantes do Seminário repetem o gesto dos braços abertos que marca a campanha mundial Compartilhe a Viagem

Na oportunidade, ele se emocionou ao trazer testemunhos próprios da vivência dessa realidade que atinge milhões de pessoas no mundo. Uma das histórias contadas foi a de uma visita a um campo de refugiados na Grécia com agentes da Cáritas que recebiam pessoas vindas da Síria, Iraque e Sudão. “Soube que aquele lugar estava organizado graças ao trabalho de uma mulher que trabalhava de forma voluntária. Então, dirigi-me a ela e perguntei: ‘Não tem trabalho suficiente? Por que assume essas responsabilidades?’ Ela me respondeu que seus ancestrais eram também refugiados. ‘Tenho o DNA dos refugiados em meu corpo. São meus irmãos e irmãs. Não os abandonarei’”.

O papa Francisco, lembrado em vários momentos da conferência pelo cardeal, foi citado no final, quando disse em 2013: “A compaixão cristã, esse sofrer com, expressa-se, sobretudo, na tarefa de conhecer os eventos que empurram um a abandonar seu país e em dar a voz, em qualquer ocasião, àqueles cujo choro de dor e opressão não foi escutado. Mas hoje gostaria de convidar a todos a levar a luz de esperança à vista e o coração dos refugiados e das pessoas que são obrigadas a migrar. Admiro a valentia daqueles que têm a esperança de alcançar novamente uma vida normal, com a esperança da alegria e o amor podem animar suas vidas”.

Texto: Wagner Ferreira Cesário

Fotos: Francielle Oliveira e Morgana Damásio

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