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Caravana do Semiárido contra a Fome chegam a Brasília (DF) e se encontra com secretário-geral da CNBB

07 de agosto de 2018

Caravana do Semiárido contra a Fome se encontra com secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner

Na manhã desta última segunda-feira (6), a Caravana do Semiárido contra a Fome se encontrou com o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner e o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB, frei Olávio Dotto, na sede da entidade, em Brasília (DF).

Na pauta do encontro o grupo dialogou sobre os riscos de o Brasil voltar  ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU); discutiram possíveis alternativas menos restritivas de direitos; sobre a violação de direitos humanos e retrocessos sociais em razão da politica de austeridade fiscal adotada pelo Governo Federal e a fragilidade do processo democrático no Brasil.

Na reunião estavam representantes da Cáritas Brasileira, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Segundo Cícero Félix, integrante da ASA, a população está sofrendo duras consequências, no centro das políticas econômicas austeras adotas pelo Governo. Cícero lembrou sobre Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola 2017, em que se ouviu de muitas famílias: “Hoje não acendi o fogo, não tem o que colocar na panela”. Cícero lembrou que “de 2014 a 2016, o número de pessoas em extrema pobreza no Brasil saltou de pouco mais de 5,162 milhões para quase 10 milhões, o que ratifica o risco de o país retroceder na missão de erradicar a pobreza. Os números só não foram piores porque as regiões Norte e Nordeste, que historicamente abrigavam as populações mais carentes, conseguiram manter um equilíbrio, graças aos investimentos recebidos por meio de ações como o Programa de Cisternas, Bolsa Família, Seguro Safra e aposentadoria rural”, apontou Cícero.

Dom Leonardo lembrou que, em seu trabalho pastoral com as pessoas em situação de rua em Brasília, percebe-se visivelmente o aumento de pessoas que estão vivendo essa realidade. “Quando comecei acompanhar o grupo, era em torno de 20 pessoas hoje é mais de 100”, conta. “Nós infelizmente, com o governo do PT, quase nos desarticulamos. Cada grupo foi para o seu lado cuidar das suas coisas e aquele movimento crescente que havia no passado e que marcou uma presença muito forte na sociedade diminuiu muito e diante das dificuldades que estamos enfrentando não só econômicas, mas também políticas e socialmente eu creio que é importante que os movimentos sentem juntos, discutam e aprofundem e façam propostas porque foi disso que nasceu a Constituição em 1988. Foi uma colaboração enorme de tantos movimentos e de tantos grupos, e a Constituição de 1988 está sendo modificada em vários artigos a questão do cuidado com os pobres. Vejam o que está sendo feito com os povos indígenas, com os povos quilombolas, com povos e pobres. Nós ainda não temos um movimento mais consistente. É preciso ir mais”, indicou dom Leonardo.

Cristina Nascimento, da ASA, ressaltou a importância da CNBB receber a Caravana, pois segundo ela a pauta se fortalece. E narra que a Caravana surgiu da necessidade de expressar à sociedade brasileira o retorno da fome no Brasil, “pois concretamente a gente vê a fome, a miséria, a pobreza nas ruas, nos semáforos, na área rural”, disse.

Cristina também lembra que “a Caravana não é só denunciar, mas também anunciar. Denunciamos a fome, mas anunciamos os caminhos que construímos, como os programas de cisternas, os processos de comercialização dos produtos da agricultura familiar, a agroecologia, isso como saída para a superação da fome”, enfatiza Cristina.

Como encaminhamentos, Cícero Félix entregou a dom Leonardo o Documento da Caravana que apresenta dados sobre o aumento da situação de miséria no país. O documento foi protocolado na tarde desta terça-feira (7) no Supremo Tribunal Federal (STF). Dom Leonardo disse que vai apresentar o documento ao presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha e também se dispôs a iniciar um diálogo com os bispos do Nordeste, uma vez que Caravana é da região.  Por fim, caso haja necessidade, dialogar com o poder público sobre o conteúdo do documento.  

 

Caravana do Semiárido contra a Fome

A caravana, liderada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), saiu da cidade de Caetés (PE), no dia 27 de julho e chegou em Brasília nesta segunda-feira, 6 de agosto. A Caravana percorreu mais de 4 mil quilômetros para denunciar o crescimento da miséria no país e pedir o retorno de políticas públicas inclusivas, passando por Feira de Santana (BA), Belo Horizonte (MG), Guararema (SP), Curitiba (PR) e, por fim, Brasília (DF).

Acesse aqui o Documento protocolado no STF

Osnilda Lima – Rede Cáritas de Comunicação

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