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Delegação brasileira apresenta experiências em agroecologia no IX Fórum das Cáritas Lusófonas

15 de outubro de 2017
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“A Fome e as Desigualdades Sociais nos países Lusófonos”, este é o tema do IX Fórum das Cáritas Lusófonas    que teve início dia 11 de outubro e segue até a próxima terça-feira, 17, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. 

Para a Secretária-Geral da Cáritas cabo-verdiana, Marina Almeida, trata-se de um espaço de debate e reflexão sobre temas pertinentes, no âmbito das atividades das Igrejas e das Cáritas Lusófonas. “A fome e as desigualdades sócias são temáticas que a Cáritas tem trabalhado praticamente em todos os países. No Brasil temos experiências interessantes, mas agora o país vive um momento de retrocessos com relação aos direitos adquiridos, temos Angola com diferentes situações de fome, Cabo Verde também tem suas dificuldades. Praticamente é um tema comum, mas queremos centrar nossa reflexão nas respostas que estamos dando para sair da situação de fome ou desnutrição” explica.

Processos transformadores

Em sua fala na seção de abertura do IX Fórum das Cáritas Lusófona, o Cardeal cabo-verdiano, dom Arlindo Furtado questionou as desigualdades sociais nos vários países lusófonos e alertou sobre o engajamento que a sociedade precisa ter para combater a fome no mundo. O Cardeal defendeu também a ideia de que diante do desafio da superação da fome e das desigualdades deva haver grandes parcerias entre as várias instituições e a sociedade de modo geral. “Fome por quê? Desigualdades por quê? Nos países que são muito ricos há fome, nos países onde milhares de toneladas de alimentos são destruídos, também há fome, há produção e há fome. Há países onde não se produz o suficiente para a população, é preciso que se produza o suficiente para que isso deixe de acontecer. Então há um conjunto de ações, há um conjunto de medidas, há um conjunto de políticas, há um conjunto de intervenções e organizações que precisamos fazer para debelar o mais possível a fome e reduzir ao máximo o nível de desigualdade social. Diante do desafio da fome e da desigualdade, a cooperação em todos os níveis sociais e políticos é fundamental porque é preciso gerir bem o que está à nossa disposição e educar as pessoas para interiorizar valores e consumir aquilo que lhe interessa. Podemos ter muitos meios e consumir mal, porque não estamos preparados para fazer opções”, falou o Cardeal demonstrando suas preocupações com a atual situação, no que diz respeito à segurança alimentar.

O evento traz um panorama de como está o engajamento da Cáritas no processo de transformação social e econômica nos países Lusófonos. Outro objetivo é promover o intercâmbio de experiências entre os participantes que conta com representantes de agentes Cáritas de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Cabo Verde.

Práticas agroecológicas

Durante o Fórum, a Cáritas Brasileira compartilhou a experiência na área da agroecologia. De acordo com diretora-secretária da Cáritas Brasileira, Marilene Sousa (Leninha), os projetos nessa área avançaram muito. “No Brasil a agroecologia caminha em três vertentes: uma primeira que é a prática de agricultores e agricultoras que aprendem a conviver com toda a realidade, seja com muita ou pouca água, ou ainda, com a seca prolongada. O Brasil tem diversos biomas e cada bioma exige uma forma de realizar a prática agroecológica. Temos a Articulação Nacional da Agroecologia, em que diversas entidades do Norte ao Sul do país atuam, e esse movimento é que possibilita o diálogo com o governo a respeito de questões como o orçamento para nossas práticas. Assim estamos desenvolvendo diversas tecnologias, seja para a captação da água da chuva, seja com outras práticas de manejo do solo para segurar a água no sistema. Temos feito ainda muitos trabalhos com sementes adaptadas em cada região, com bancos de sementes e com os guardiões da biodiversidade”, destacou.

Ainda durante a apresentação das experiências brasileiras, Leninha falou sobre o reconhecimento internacional a respeito do Programa Cisternas, uma iniciativa que busca universalizar tecnologias que viabilizam o acesso à água, promovem a segurança alimentar e assim permite que as famílias continuem vivendo na região. A partir do Projeto Cisternas, mais de um milhão de reservatórios de água para beber e mais de sete tipos de tecnologias para guardar a água potável foram desenvolvidas. “No caso específico da água, o Brasil foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir da grande experiência da Articulação do Semiárido Brasileiro pelas tecnologias desenvolvidas nessa perspectiva de responder à questão da segurança alimentar, porque acreditamos que se houvesse mais apoio financeiro, a agroecologia poderia produzir em grande escala”, conclui.

Entre as atividades desses 10 dias de encontro das Cáritas Lusófonas, os participantes puderam visitar projetos e participar de ações interagindo com as comunidades locais cabo-verdianas. Do Brasil participam do encontro o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela), a diretora-secretária da Cáritas Brasileira, Marilene Sousa (Leninha), Jacira Dias Ruiz, agente Cáritas do Regional Rio Grande do Sul e Francely Brandão, agente Cáritas do Regional Norte 2. 

Por Jucelene Rocha
Com informações de Brígida Morais, correspondente em Cabo Verde.

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