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Ato em defesa da Amazônia ecoa as vozes da ecologia integral

05 de setembro de 2019

Ato em defesa da Amazônia denuncia crimes cometidos na Amazônia e reafirma as potencialidades do Sínodo que se aproxima

A Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, em parceria com organizações da Igreja e da sociedade civil, realizou última quarta-feira (4), o Ato em defesa da Amazônia. A atividade, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, fez parte das celebrações que estão ocorrendo ao longo desta semana por ocasião do dia da Amazônia, comemorado hoje, 05 de setembro.

Na semana passada a Igreja na Amazônia (bispos, padres, religiosas e religiosos, leigas e leigos das Igrejas amazônicas) realizou um encontro no estado do Pará, em Belém, para estudar o documento de trabalho em preparação para o Sínodo da Amazônia, que ocorrerá de 6 a 27 de outubro deste ano no Vaticano, em Roma. Neste encontro, foi deliberada uma carta, documento este, que foi entregue com ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, como ponto principal do Ato em defesa da Amazônia.

O Bispo da prelazia do Marajó, dom Evaristo Pascoal, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Rede Eclesial Pan-Amazônica esteve presente no Ato, e explicou que a carta faz uma denuncia de como a Amazônia está sendo vítima de um sistema predador. “Na verdade, a carta apresenta os modelos diferentes de presença na Amazônia: há o modelo de quem vive na Amazônia e sempre viveu: os povos tradicionais, e existe o modelo de quem vem para destruir, para desmatar, queimar e contaminar as águas. Esse último modelo está destruindo a floresta e as vidas, e ao invés de sinais de vida, a Amazônia já está disseminando sinais de morte, como recentemente em São Paulo, onde as fumaças escureceram o dia”.

Estimativas sobre desmatamento apontam que cerca de 20% da Amazônia está passando por sérias ameaças de queimadas ainda esse ano. O desmatamento e as queimadas são problemáticas que atingiram parte da Amazônia este ano, superando as estatísticas de anos anteriores, o que causou, por consequência, a disseminação da fumaça para outros estados do Brasil, chegando até o estado São Paulo.

Para Leon Souza, articulador nacional da REPAM-Brasil, o Ato faz parte de uma série de eventos que marcam a Semana da Amazônia, e objetivam dar mais visibilidade as problemáticas já apontadas para o Sínodo. “Com todas essas situações políticas, sociais e econômicas que vem afetando a vida do povo amazônico, nós não queremos separar florestas e povo -somos uma casa comum e uma ecologia integral- então, a queimada das florestas é também uma forma de destruir e violar os direitos dos povos da Amazônia, que são muitos e diversos. Por isso, estar aqui neste lugar hoje (Câmara dos Deputados) é uma continuidade do processo que estamos fazendo do Sínodo e foi o momento de ecoar essas vozes”.

A quilombola Anacleta, presente do Ato de Defesa da Amazônia enfatiza que é importante ativar a memória dos representantes do Brasil

Anacleta Pires, liderança do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru Mirim (MA), esteve presente no Ato e diz que a importância de entregar a carta é ativar a memória dos representantes do Brasil e trazer outra perspectiva do que é a Amazônia, a partir dos povos tradicionais. “Este momento é um momento impar, para ouvir a quem sempre viveu no território amazônico: os povos tradicionais. Por isso, estar aqui é uma ativação da memória, é uma dose também da cura para os nossos representantes, o povo tem que se curar e respeitar quem sempre cuidou da Amazônia. Todos nós temos que ter uma responsabilidade inicial, que é a responsabilidade pela vida”, enfatiza.

 

AMAZÔNIA LEGAL

A Amazônia Legal, área que compreende cerca de 5,5 milhões de quilômetros apenas de floresta, é composta por 9 estados brasileiros. Além do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia e Tocantins, estados da região norte do Brasil, Maranhão e Mato Grosso também fazem parte do bioma. Na América do Sul, outros 8 países também estão nesse conjunto, são eles Suriname, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador, compondo a Pan-Amazônia.

Fotos e matéria: Tainá Aragão (Cáritas Brasileira)

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