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FSM: Assembleia Mundial das Mulheres reafirma a urgência da unidade feminista para a luta internacional

16 de março de 2018
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A evocação do nome e da luta de Marielle Franco – militante, negra e lésbica, vereadora do Rio de Janeiro assassinada na noite do dia 14 de março, deu o tom à unidade feminista na Assembleia Mundial das Mulheres, no Fórum Social Mundial.

Sírias, francesas, brasileiras, africanas, curdas, venezuelanas, negras, indígenas, católicas, candomblecistas, jovens, idosas, crianças. Mulheres de diversos territórios, raças, etnias, credos e cores ocuparam a histórica praça do Terreiro de Jesus, no Pelourinho, centro de Salvador, na manhã desta sexta-feira (16/03). Lugar símbolo da resistência a também histórica violência ao povo negro, hoje foi testemunha do grito uníssono contra as opressões vividas pelas mulheres de todo o mundo.

Nesta edição do FSM, nenhuma outra atividade concorreu com a Assembleia Mundial das Mulheres para permitir a participação de todas e a escuta necessária dos homens (aqueles que se colocam na luta por outro mundo possível) para o rompimento das estruturas do patriarcado.

Desafios complexos

A força desagregadora e opressora que  forjou a história social do mundo, coloca desafios complexos para o movimento feminista global. Em meio as falas de unidade, disputas territoriais, partidárias e de representatividade deixam expostas as rachaduras que segregam mulheres e impedem que a força emancipadora do feminismo arrebente as verdadeiras correntes que as aprisionam.

“O que temos que fazer nesta assembleia é levar adiante a bandeira de Marielle e a de todas as mártires que foram assassinadas pelo Estado. Se não tivermos a luta em comum, não vamos conseguir vencer o feminicídio. Estamos juntas hoje para mostrar que somos todas uma só”, defendeu a ativista curda diante de milhares de companheiras aglomeradas a frente do palco instalado na praça.

Mulheres reunidas na praça do Terreiro de Jesus, no Pelourinho, centro histórico de Salvador

Mulheres reunidas na praça do Terreiro de Jesus, no Pelourinho, centro histórico de Salvador

Jamais silenciar

Lideranças políticas, como Manuela D’Ávila e Sônia Guajajara, ambas candidatas à disputa presidencial nas eleições deste ano, subiram ao palco para reafirmar caminhos unitários e responder aos atentados à vida das lutadoras. “Nenhuma assembleia de mulheres foi tão importante quanto esta, porque construiremos aqui o movimento de resposta àqueles que buscaram tirar Marielle da luta”, afirmou Manuela. A indígena Sônia Guajajara repetiu que não será feito silêncio:  “Não podemos mais permitir que nossas companheiras continuem tombando”.                                                  

Também se manifestou na assembleia uma das militantes argentinas do movimento Madres de Mayo: “Aqui estão presentes as mulheres do mundo. Portanto, não somos invisíveis. Aqui também estão presentes todas as perseguidas, as assassinadas e desaparecidas do mundo. Agora e sempre, presentes!”.

Mas vozes ainda se sentem abafadas e buscam espaço diante de tantos movimentos. Algumas protestaram contra os preconceitos que dolorosamente enfrentam dentro do próprio movimento de mulheres, como as trans e as loucas (do movimento antimanicomial). Há também mulheres em situação de rua, catadoras, mulheres com deficiência e outras tantas que geralmente não tem a oportunidade de estar nas construções dos grandes movimentos de mulheres.

Agenda mundial

A organização do Fórum Social Mundial de Salvador trabalhou para a construção de uma carta de convergência de dez pontos inegociáveis para a agenda feminista internacional. “O documento expressa a nossa indignação mundial. Entendemos que o caminho para superar todos as opressões é o feminismo”, afirmaram as porta-vozes. São estes os pontos:

Pelo pleno reconhecimento do trabalho produtivo e reprodutivo, contra o assédio sexual e moral no trabalho, pelo equidade salarial, exigimos políticas públicas para garanti-las;

Pelo fim dos feminicídios, transfeminicídios e de todas as formas de violência, sejam elas sexuais, físicas, psicológicas, domésticas praticadas em âmbito público, privado e no ativismo;

Pelo direito de decidir sobre os nossos corpos, sentimentos e pensamentos com autonomia,  sem a interferência do Estado, dos fundamentalismos religiosos e do poder corporativo;

Pela emancipação real e substantiva e pelo acesso ao poder político;

Pelo fim da utilização de nossos corpos como arma de guerra. Pelo fim da perseguição e assassinato de defensoras e defensores de direitos humanos. (Marielle, presente, presente, presente!);

Pelo acesso de todas e todos à educação universal emancipadora, libertadora e não sexista;

Contra o racismo, a xenofobia, o genocídio e o fim do encarceramento das pessoas negras, indígenas e pobres;

 Pelo reconhecimento de nossa identidade e expressão de gênero, auto-percebida/auto-determinada. Pela plena garantia de nossos direitos. Pelo fim da discriminação e da violência contra a orientação sexual, a identidade e a expressão de gênero;

Pelo desmantelamento da estrutura patriarcal dos meios de comunicação, pelo fim da mercantilização e hipersexualização de nossa imagem.  Nossa invisibilidade nesses meios contribui para o silenciamento de nossas lutas;

Pela justiça climática. Somos parte da natureza, e não donas dela. Contra o capitalismo, colonialismo e imperialismo que nos explora e nos expulsa em várias partes ao redor do planeta.

Por Morgana Damásio e Raquel Dantas
Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira
 

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