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ARTIGO | CATADOR: “Caminhar é resistir e se unir é reciclar…”

09 de junho de 2014

07 de junho, Dia Nacional de luta dos catadores e catadores de materiais recicláveis.

CATADOR: “Caminhar é resistir e se unir é reciclar…”

Amanda Santos, Educadora popular da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3

A primeira semana de Junho no Brasil nos provoca a refletir sobre nossa relação com o ambiente em que vivemos. Além da data do dia 05 em que se comemora o dia do Meio Ambiente, há ainda o dia 07, data marcada como o dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis. A reflexão sobre esses dias impele num compromisso em se tornar consciente quanto a problemática a que tais datas se refere e o quanto cada um somos também responsáveis pelos avanços ou retrocessos dos processos que as envolve.

Não fôssemos nós produtores individuais de 1,230kg de resíduos sólidos ao dia, não precisaríamos nos preocupar com as 201 mil toneladas de resíduos sólidos que são produzidos todos os dias no Brasil. Além desses dados a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (ABRELPE), baseada em uma pesquisa de 2012, afirma que em 2014 apenas 60% dos municípios brasileiros irão destinar seus resíduos sólidos de forma adequada. Tais dados podem nos remeter ao desespero e ao desânimo ou a um compromisso com essa questão ambiental tão complexa.

E para que de fato seja a esperança o sentimento balizador de nossas ações, é necessário que nos animemos com práticas concretas de enfrentamento dessa realidade. Sabe aquela história de quem recebe da vida um limão e tenta fazer dela uma limonada? Exemplo concreto disso são os catadores, com a maioria de seus direitos negados, na impossibilidade de ingressar no mercado formal, fazem da catação seu meio de sobrevivência e não só transformam lixo em dinheiro, mas se ingressam na luta pelo reconhecimento de sua categoria e constroem um processo de luta e de incidência  nas políticas públicas referentes ao gerenciamento dos resíduos sólidos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010) é fruto desse processo de luta e enfrentamento dos catadores juntamente com outras entidades do movimento social, e traz em si diretrizes que se implementadas caracterizam conquistas para categoria e para toda sociedade brasileira. Além de priorizar os municípios que integram os catadores em seus sistemas de gerenciamento dos resíduos sólidos, institui prazos aos municípios para elaboração e implementação de seus planos de gerenciamento, aponta para um processo participativo e define outros instrumentos que podem efetivar o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos no país.

Entender essa dinâmica e compreender a importância do trabalho dos catadores e catadoras neste processo é tomar consciência da responsabilidade de cada pessoa neste sistema e é sobretudo ser convocado a se colocar como fio da teia da vida e se comprometer na luta para que essa vida seja digna, com direitos garantidos.

É necessário entender que “Tudo está interligado…”, nossa mudança de postura, nosso enfrentamento ao modelo de consumo e superprodução vigente interfere na quantidade de resíduos sólidos produzidos no Brasil e consequentemente no trabalho dos catadores e catadoras, que por sua vez, reflete na diminuição da degradação ambiental. Do mesmo modo as ações de enfrentamento, são conexas por si só, no entanto o intuito de integrá-las é uma maneira de fortalecer-nos na luta através de conexões mais visíveis, nos fazendo sentir mais próximos; experiências acessíveis aos nossos sentidos, nos toca mais fundo.   

A Cáritas Brasileira em conjunto com outras organizações, movimentos populares, pautados num modelo de desenvolvimento solidário, sustentável e territorial, têm construído durante anos, ações de animação, acompanhamento e formação dos grupos de catadores e catadoras de materiais recicláveis. Os esforços têm dado resultados. Podemos destacar a experiência de Santo Antônio de Jesus e Barreiras no estado da Bahia, que em 2009 iniciaram um processo de animação e acompanhamento desses grupos, os quais se destacam pelo nível de organização, constituindo localmente uma rede de forças que envolvem sindicatos, escola, secretaria municipal e outros atores da sociedade civil, torna-se visível a vida que ninguém ver.

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