Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte
← Voltar

Agricultura familiar e segurança alimentar em debate nos conselhos e comissões nacionais

O trabalho em família, a produção sustentável, o protagonismo de jovens e mulheres rurais. Essas são algumas características da agricultura familiar brasileira que ganharam destaque nesta quarta-feira (6), em Brasília (DF), no Encontro Interconselhos e de Comissões para o Ano Internacional da Agricultura Familiar, Camponesa e Indígena.

O ministro do Desenvolvimento Agrário e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), Miguel Rossetto, destacou a importância do debate. “Falar da agricultura familiar significa repensar uma estratégia diferenciada onde a propriedade, a riqueza, a felicidade e os direitos fundamentais sejam repartidos. No Brasil, estamos construindo esses valores à medida que produzimos políticas assertivas e garantimos o fortalecimento do meio rural”, salientou Rossetto durante a abertura do Encontro.

A Cáritas Brasileira participou do evento representada por Luiz Claudio Mandela, membro da coordenação colegiada nacional. De acordo com ele, o objetivo do encontro foi abrir um diálogo de convergências entre os conselhos que debatem os temas. Mandela, na oportunidade, apresentou para os participantes a campanha mundial contra a fome, a pobreza e as desigualdades, promovida pela Rede Cáritas Internacional, cujo tema é “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”.

Em todo o País, a agricultura familiar corresponde a 84% dos estabelecimentos agropecuários. De acordo com o representante das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura no Brasil (FAO), Alan Bojanic, o Ano Internacional oferece uma oportunidade de rever o setor e compartilhar experiências com outras nações. “O Ano Internacional da Agricultura Familiar representa uma grande oportunidade para compartilhar experiências com o mundo, já que esses diálogos estão sendo realizados em vários países.”

O representante do Comitê Brasileiro para o Ano Internacional e vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Willian Clementino, defendeu o debate em torno da agricultura familiar como um marco. “Entendemos que para a agenda de desenvolvimento do Brasil e do mundo a agricultura familiar é o ponto central.”

O secretário-executivo do Condraf, Guilherme Abrahão, afirmou que o ponto final do encontro é tirar as agendas em comum e sugerir um plano de ação conjunta. “O esforço do evento é garantir que os conselheiros dialoguem os temas em comum e projetem ações para o futuro.”

Também participaram do Encontro: a presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Maria Emília Pacheco; a secretária de Segurança Alimentar e Nutricional em exercício do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Lilian Rahal; e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Paineis

Pela manhã, o primeiro painel do Encontro Interconselhos e de Comissões debateu A Agricultura Familiar, Camponesa e Indígena e a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Desenvolvimento Rural Sustentável. A apresentação levou em conta temas como o acesso à alimentação adequada e saudável; a transição agroecológica; o gênero; o desenvolvimento rural sustentável; e os povos e comunidades tradicionais.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Laudemir Müller, ressaltou a importância do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, aprovado este ano pelo Condraf, como base para o desenvolvimento do rural brasileiro. “Essas metas foram formuladas com a participação direta de 42 mil pessoas, durante a nossa conferência, e agora estamos trabalhando para a implementação dos objetivos.”

Segundo Müller, o desenvolvimento passa, também, pela reforma agrária, pelo acesso à terra e pelos recursos naturais.  “Nós temos 88 milhões de hectares para a reforma agrária e 945 mil famílias assentadas. Queremos levar infraestrutura para que os nossos assentamentos nasçam com capacidade de produção, estradas, casas, água e luz”, finalizou.

Na parte da tarde, o chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Caio França, que coordenou uma das mesas de debate, atentou que só de forma integrada as políticas terão uma atuação de destaque. “A ampliação e qualificação das políticas de fortalecimento da agricultura familiar demandam essa integração maior, e os conselhos podem cumprir um papel fundamental nessa iniciativa”, opinou.

Encontro

O encontro foi promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (Condraf), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), que são órgãos colegiados formados por representantes governamentais e da sociedade civil que garantem a participação social nas políticas públicas.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário