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Agentes Cáritas participam de capacitação para a redução de riscos de desastres socioambientais

20 de setembro de 2018

Cidade de Ribeira, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo – Foto: Arquivo da Prefeitura Municipal de Ribeira

No Vale do Ribeira, plantada em meio a Mata Atlântica, na Serra do Mar, entre montanhas e uma curva do Rio Ribeira está à cidade de Ribeira, município paulista, a 358 quilômetros da capital São Paulo e a 139 quilômetros da capital paranaense Curitiba. Ribeira é apresentada, não à toa, como a capital da Amizade.

– E por que capital da amizade?

– Ah, minha filha, aqui todo mundo se conhece, disse Alcedina Antunes Lopes, 64 anos, que mora na cidade há 51 anos e é parte dos 1.236 habitantes que vivem na zona urbana da cidade somando-se aos mais 2.122 que vivem na zona rural do município.

Nas ruas, as pessoas cumprimentam-se, nos cumprimentam. Da janela da casa construída numa encosta, a senhora diz:

– Ei, bom dia! Tudo bem com vocês? Bem-vindos em nossa cidade!

Entre o rio e as montanhas, a população ribeirense que vive na região urbana, todos os anos, no período das chuvas, já sabe que as enchentes poderão causar danos às diversas famílias.

– Quando chega mês de dezembro e janeiro a população da cidade começa a ficar tensa. O rio que começa a crescer devido as fortes chuvas na região disse o padre Adilson Oliveira, pároco da Paróquia Bom Jesus de Ribeira.

O padre contou que, com isso, a comunidade católica já começa a se preparar para abrir as portas da igreja, do salão paroquial para acolher os desabrigados atingidos pela enchente.

Participantes da Capacitação da Caixa de Ferramentas de Resposta da Caritas Brasileira

A cidade, no dia 18 de setembro de 2018, recebeu o II Seminário Nacional Comunidades +Seguras, com o tema “Resiliência Comunitária e a Redução de Riscos de Desastres”. Participaram 200 pessoas, entre agentes de pastoral, bispos, padres, religiosas, prefeitos, secretários de meio ambiente, educadores, militantes ambientais, agentes Cáritas representando todas as regiões do Brasil e pesquisadores.

O Evento foi realizado pela Cáritas Brasileira – por meio de sua área de atuação Meio Ambiente Gestão de Riscos e Emergências (Magre)-, pela Cáritas Regional São Paulo e Diocese de Itapeva (SP). E contou com o apoio da Paróquia Bom Jesus de Ribeira e da Cáritas Alemanha. São parceiros desta iniciativa o grupo de pesquisadores de Gestão de Riscos de Desastres (Grid) da Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRGS).

– Quando sugeriram de acolher o evento do Magre em nossa Diocese, eu falei que recebia, mas com uma condição, que fosse na cidade de Ribeira, que é justamente um cidade situada numa região de grande propensão a desastres ambientais por estar situada num vale, entre as montanhas e o rio. Pois no mês de janeiro ora o morro cai, ora a água sobe, de modo que achei oportuno trazer o encontro para cá e termos enquanto Cáritas esse olhar carinhoso para esta região, para este povo, conta dom Arnaldo Carvalheiro Neto, bispo da Diocese de Itapeva (SP) e referencial da Cáritas no Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Dom Arnaldo lembra que a carta encíclica do papa Francisco, Laudato SÍ ilumina essa ação da Igreja, da Cáritas Brasileira em não só discutir a ecologia ambiental, mas considerar a ecologia social.

– Precisamos pensar a ecologia a partir dos pobres, pois essa região do Alto do Vale do Ribeira é a região mais pobre do estado de São Paulo, região que tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo, então precisamos tratar do meio ambiente e das pessoas, com especial atenção aos pobres. A Laudato SÍ, também nos convida a ter um olhar amplo, a olharmos a realidade não só a partir de onde estamos, mas um olhar abrangente, afirma dom Arnaldo.

O bispo ressalta a importância do encontro, pois segundo, ele traz conhecimento à Diocese pelo comprometimento dos agentes e pesquisadores ao abordar a temática, definir ferramentas e assumir ações concretas de respostas à redução de riscos e de desastres ambientais e sociais.

– Vamos percebendo a partir deste encontro, desses olhares alento ao nosso coração e fortalece a esperança, pois vamos conhecendo tantas pessoas comprometidas e que respeitam a natureza, que tratam com carinho o meio ambiente e que se unem num grande mutirão, numa grande ciranda para encontrar caminhos de solução para os problemas relacionados ao meio ambiente. Não numa perspectiva de mercado, mas numa perspectiva cristã, humana, no resgate da dignidade que contempla o bem comum, ressalta o bispo.

Agentes Cáritas em momento de espiritualidade durante a capacitação para a redução de riscos de desastres

As atividades seguem até sábado (22) com a Capacitação da Caixa de Ferramentas de Resposta para a Redução de Riscos de Desastres e o estudo do Documento provisório do Protocolo Institucional de Resposta em Emergências (PIR). Desta, participam 35 agentes Cáritas representando todas as regiões do Brasil.

– A Caixa de ferramenta, podemos comparar a uma receita de bolo. Pois oferece orientações práticas de respostas diante de emergências quando ocorrer desastres, no sentido de o que fazer quando acontece um desastre, como responder a esse desastre, como realizar uma campanha de resposta rápida ou um apelo de emergencial nacional e também como avaliar e encerrar a ação, explica Marcelo Lemos, assessor Nacional da Caritas Brasileira para o Magre.

– É um momento importante para o caminho, aonde vamos além de ampliar as estratégias de respostas, fazer acordos que possam melhorar as potencialidades locais para uma gestão integral de riscos de desastres a partir das comunidades que atuamos, bem como nossa incidência para uma política nacional de defesa civil para que articule, mobilize e efetive, sobretudo, uma cultura no Brasil para ações concretas para a redução de riscos de desastres, avalia Lemos.

Eloísa Maria Adami Giazzon, do Grid, que também está assessorando a atividade nestes quatro dias, fala que o grupo de pesquisa vem atuando desde 2011 com a percepção de riscos e qualificação da percepção de riscos com a comunidades.

– Desenvolvemos uma tecnologia social para organizar o conhecimento, a memória da comunidade sobre os desastres e as demais vulnerabilidades que estão presentes nos territórios onde as pessoas vivem. E através disso temos conseguido promover uma reflexão sobre causas dos riscos e vulnerabilidades, responsabilidades, ações e atitudes que precisam se efetivar para que melhore a condição de vida nesses locais e também a busca de parcerias para que isso possa acontecer, expõe Eloísa.

A pesquisadora conta que a parceria com a Cáritas Brasileira tornou possível a multiplicação da metodologia, da tecnologia social.

Além da Caixa de Ferramentas de Respostas da Caritas Brasileira os agentes Caritas reunidos para a capacitação estão avaliando o documento provisório do PIR, que tem como objetivo, no âmbito da ação humanitária da entidade, apresentar as diretrizes para as emergências, os princípios orientadores, as estruturas e os mecanismos de trabalho da resposta às emergências dos agentes Cáritas.

 – O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social. De fato, a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta: Tanto a experiência comum da vida quotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres, disse o papa Francisco na Encíclica Laudato SÍ, nº 48.

Texto e fotos Osnilda Lima – Rede Cáritas de Comunicação

Agentes da Cáritas Brasileira reunidos em Ribeira para a capacitação de redução de riscos de desastres

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