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Acampamento Urbano Carlos Leite de Araújo sofre ataque

28 de julho de 2017
ACAMPAMENTO 4

Por volta de uma hora da madrugada da última quarta-feira, 26, cerca de trinta homens atacaram de surpresa o acampamento Urbano Carlos Leite, localizado no bairro Morada Nova, em Crateús-CE, e atrás do empreendimento imobiliário Mãe Rainha.

As famílias relataram que os homens chegaram efetuando vários disparos com arma de fogo, incendiaram as barracas onde crianças e mulheres grávidas dormiam, agrediram com bastante violência os homens e chegaram a bater em algumas mulheres. Além dessas agressões, o bando ainda queimou alguns celulares na tentativa de evitar as gravações, incendiaram bicicletas, atiraram nas panelas e derramaram os suprimentos das famílias. Cápsulas de pistola de calibre 40, de uso da polícia militar, foram encontradas no local.

De acordo com relatos de pessoas que visitaram o local, após o ato violento as famílias estavam visivelmente transtornadas e alguns com marcas no corpo que evidenciavam as agressões físicas sofridas. Segundo relato dos acampados, pessoas ligadas ao empreendimento Mãe Rainha estiveram por três vezes no acampamento fazendo abordagens intimidadoras, ameaçando as pessoas e exigindo a saída do local.

Barracas destruídas pelo fogo durante ataque no meio da madrugada

Ao amanhecer foi possível perceber a destruição deixada pelo fogo após ataque no meio da madrugada

Luta pelo direito à moradia

O acampamento ocupa um terreno do município e atualmente 53 famílias lutam pelo direito à moradia. De acordo com Marcos Heldênio, membro da Frente Social Cristã e um dos coordenadores do acampamento,  as famílias vão resistir: “Decidimos abrir um diálogo com o poder público municipal, uma vez que a terreno não é uma propriedade particular, não é do empreendimento Mãe Rainha, fato que torna a agressão ainda mais infundada legalmente, vamos investir nesse diálogo até conseguir negociar essa terra com a prefeitura municipal”. O grupo recebeu apoio de entidades e instituições como Cáritas Diocesana de Crateús, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Frente Social Cristã, Círculo de Cultura Margem Esquerda, Sindicato dos Professores/as, Federação das Entidades Comunitárias (FEC) e Movimento dos trabalhadores/as sem Terra (MST).

Ao se declarar a respeito do ataque, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, da subscrição Crateús, Marcelo Cavalcante, disse que era inadmissível esse tipo de comportamento violento e que a Comissão de Direitos Humanos da OAB acompanhará as investigações que estão sendo conduzidas pela delegada Regional de Polícia Civil, Dra. Ana Scotti.

Mobilização solidária

Na última quarta-feira, 26, a Frente Social Cristã organizou junto com lideranças do Acampamento Urbano Carlos Leite de Araújo e outras instituições, uma assembleia na qual os participantes decidiram iniciar uma mobilização com a população local para o atendimento emergencial das necessidades básicas dos acampadas e para a reconstrução das moradias que começaram a ser reconstruídas.

Durante a assembleia os diversos representantes das instituições e da sociedade civil demonstram indignação com o ato de violência e afirmaram que a agressão não fere só aos acampados, mas também a toda população de Crateús. A Cáritas Diocesana de Crateús afirmou que a moradia é um direito básico de todas e todos e que não será o medo à violência que irá interromper a continuidade dessa luta.

Com informações da equipe de comunicação Cáritas Diocesana de Crateús

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