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A cidade está vindo para acima da gente, denunciam indígenas kambebas em diálogo com a Cáritas Manaus

14 de novembro de 2018

Aldeia Tururukariuka do povo kambeba, no Amazonas – imagens Luis Miguel Modino

As infraestruturas nem sempre trazem coisas boas para todos. O progresso anunciado, muitas vezes tem consequências negativas na vida das pessoas, especialmente de quem a entende de um modo diferente. A construção da Ponte sobre o Rio Negro, que liga os municípios de Manaus e Iranduba, em 2011, significou o incremento desenfreado da especulação imobiliária nos municípios de Iranduba e Manacapuru. Muitas comunidades da região, aos poucos, foram perdendo a tranquilidade que até então tinham.

Uma dessas comunidades é a Aldeia Tururukariuka, situada no município de Manacapuru, a mais ou menos 50 quilômetros da capital amazonense, Manaus. Nesse local moram 13 famílias kambebas, originarias da região do Alto Solimões, que chegaram em 2005, segundo eles, “atrás de melhoria na qualidade de vida”. Aos poucos, em mutirão, em ajuri, que falam os povos indígenas, a comunidade foi melhorando através de pequenas conquistas.

Visitando a aldeia, resulta interessante ver o esforço que eles fazem em preservar a cultura e a língua própria, escutar as crianças cumprimentar àquele que chega e cantar em língua indígena. Não podemos esquecer que a língua e a cultura são elementos que ajudam a preservar a identidade como povo, a olhar o futuro com esperança. Um futuro que passa pelo reconhecimento jurídico do local onde moram como próprio. De fato, eles querem permanecer em um território onde encontraram sua casa, que os jovens estudem para poder melhorar o futuro da comunidade, mas permanecendo nela.

Uma das preocupações da comunidade é o impacto ambiental, consequência da invasão da grande cidade, que fica a menos de uma hora de carro. Isso se manifesta no aumento dos resíduos sólidos, na poluição do rio, no desmatamento que provoca o aumento da temperatura. Essa invasão também atinge o modo de pensar e de viver, pois como os próprios kambebas reconhecem, todo mundo gosta do que é diferente, o índio gosta da alimentação da cidade, deixando de lado seu sustento original, mais orgânico e saudável, um aspecto que estão tentando recuperar.

Falando sobre os preconceitos sociais instalados no subconsciente coletivo, os kambebas dizem que o índio sempre foi visto como preguiçoso pela sociedade dos brancos. O motivo estaria, segundo eles, em que o indígena nunca teve a visão de vender, pois para ele sempre foi suficiente com o sustento do dia.

Cáritas Manaus em reunião como o povo indígena da Aldeia Tururukariuka, no Amazonas

A Aldeia Tururukariuka reconhece que precisa de ajuda das instituições parceiras, entre elas a Pastoral Indigenista, a Caritas e a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), que poderiam orientar o caminho a seguir, especialmente na questão fundiária. Também apoiando projetos que possam ajudar na auto sustentabilidade, como pode ser o turismo comunitário.

Desde Caritas Arquidiocesana de Manaus, o diácono Afonso Oliveira, membro da diretoria da entidade, reconhece que “Caritas quer se fazer presente no meio dos povos, das comunidades que estão sendo ameaçadas, destacando a importância desse processo histórico de resistência do povo kambeba, mesmo longe do seu local original”. Nesse processo de resistência, se faz necessário avançar no caminho da sustentabilidade, uma dimensão que é apoiada pela Misereor, quem vê necessário formar redes para chegar na auto sustentabilidade dos povos.

Crianças do povo kambeba, Aldeia Tururukariuka, no Amazonas

Por Luis Miguel Modino – Cáritas Manaus

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