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Cáritas Brasileira Regional São Paulo acolhe primeiro grupo de migrantes venezuelanos no Programa Pana

19 de dezembro de 2018

O grupo de 102 imigrantes venezuelanos chegaram à capital paulista, nesta terça-feira (18). Eles foram acolhidos pela equipe da Cáritas Brasileira no Regional São Paulo. A acolhida integra o Programa Pana, uma iniciativa implementada também em outros seis estados (Boa Vista, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Velho, Recife), e que conta com parceiros locais que contribuem para a integração dos migrantes.

O secretário-executivo da Cáritas Brasileira Regional São Paulo, Antônio Evangelista destaca que as questões humanitárias e o acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade social e refúgio fazem parte da missão Cáritas: “Por esta razão, o empenho de nossos agentes para diminuir a dor e o sofrimento dos nossos irmãos e irmãs venezuelanos que diante da fome e da situação sociopolítica daquele país, buscam refúgio no Brasil. Esta triste realidade, além de nos provocar para a vivência e a prática do evangelho, nos coloca em sintonia com a Família de Nazaré que também migrou de suas terras para assegurar a vida e o nascimento de seu filho, o Salvador do mundo. Portanto, a sociedade brasileira está sendo convocada a praticar o evangelho com o acolhimento e a defesa de direito de nossos irmãos e irmãs que migram para o nosso país para garantir a vida”, afirmou.

Mi Casa es Tu Casa!

No artigo Mi Casa es Tu Casa!, publicado recentemente, o bispo de Itapeva e referencial para a Cáritas Brasileira Regional São Paulo, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto,   convoca: “Diante de um mundo tão marcado pela hostilidade, queremos oferecer o melhor da nossa hospitalidade a esses nossos irmãos e irmãs venezuelanos. A solidariedade exige  ousadia! Conclamo a todos para conhecer e apoiar o Projeto Pana. Que possamos dizer aos nossos migrantes venezuelanos: Sejam muito bem vindos! Sintam-se em casa! ou como eles gostam de dizer: Mi casa es tu casa!”.

Uma das venezuelanas atendidas pela Cáritas é Marifer Vargas, 36 anos, que chegou há pouco mais de um ano e meio, ela e sua filha, 12 anos, desembarcaram de ônibus primeiro em Roraima (RR), e depois de avião vieram para São Paulo, em busca de melhores condições de vida para a sua família. Atualmente Marifer atua na equipe multidisciplinar do Programa Pana. “Chegando aqui, encontrei com meu marido que já estava no país e procuramos uma vida diferente, sem medo, em paz e que eu consiga dar oportunidade melhor para a minha filha. Fomos acolhidos muito bem aqui pelo povo brasileiro, e para refazer nossa vida. Conseguimos vender comida venezuelana orgânica e artesanal, fui voluntária no Centro de Referência da Cáritas da Arquidiocese de São Paulo, e agora, estou integrando este Projeto e tenho este compromisso de levar força e esperança a outros venezuelanos que compartilham de uma realidade parecida com a minha. Amo o Brasil, a cidade de São Paulo é o nosso novo lar. Tenho esperança que logo eu voltarei para meu país para abraçar minha mãe e minha família que ficaram lá”, destaca a venezuelana.

Casa de Direitos

Em todas as capitais que contam com as equipes multidisciplinares do Programa Pana, a sede das ações é a Casa de Direitos, espaço voltado para dar apoio e favorecer a integração de migrantes e refugiados nas cidades envolvidas. O espaço pretende ser uma casa de portas abertas para pessoas que serão acompanhadas pelo programa, propiciando acolhimento, atendimento jurídico, acompanhamento psicossocial e capacitações.

O Programa Pana vai proporcionar acesso à moradia, por meio do aluguel subsidiado para famílias que aceitarem sair de Boa Vista para recomeçar a vida em alguma das outras seis cidades que integram o Programa. Ao todo, 102 imóveis serão alugados nas seis capitais para acomodar pelo menos 1.224 pessoas. As famílias terão ainda acompanhamento psicossocial, oportunidade de qualificação profissional e atendimento jurídico, de modo a possibilitar que elas vivam em dignidade e retomem as principais atividades sociais e produtivas. Para complementar as ações, no campo emergencial, os imigrantes em situação de vulnerabilidade social terão acesso a itens de primeira necessidade como alimentos, roupas e kits de higiene pessoal.

Com informações de Renato Papis, assessor de comunicação do Regional Sul 1 da CNBB

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