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Semana de Oração pela Unidade Cristã

14 de maio de 2018
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Teve início neste domingo (13/5) e segue até dia 20 de maio a Semana de Oração pela Unidade Cristã. Promovida mundialmente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) este ano apresenta o tema inspirado no livro de Êxodo: “A mão de Deus nos une e liberta”.

Resgatando a história e as consequências do colonialismo, tanto no Caribe quanto na América Latina, a SOUC 2018 traz o convite para a reflexão sobre o trabalho análogo à escravidão que, no século XXI fere tanto a humanidade quanto a imagem de um Deus de amor e liberdade. A escravidão e o trabalho humano degradante é um desafio contemporâneo a ser assumido pelas igrejas.

A região do Caribe

O material da Souc foi preparado pelas Igrejas do Caribe. Caribe, nome de origem indígena, do povo Kalinago, é uma vasta extensão geográfica que inclui ilhas e territórios continentais, com uma rica e variada coleção de tradições étnicas, linguísticas e religiosas. É também uma região que possui complexa realidade política, com uma variedade de organizações governamentais, incluindo desde territórios coloniais (ingleses, holandeses, franceses e americanos) até nações republicanas.

Constata-se que, nos anos de colonialismo e escravidão, a ação missionária, com poucas exceções, muitas vezes justificava e reforçava a triste e desumana realidade da escravidão. No entanto, se por um lado a bíblia era utilizada para justificar a escravidão, por outro, nas mãos dos escravizados, tornou-se uma inspiração, uma garantia de que Deus estava ao lado dos oprimidos. Este Deus, diante dessa inspiração libertadora, os conduziria à liberdade.

Hoje os cristãos caribenhos de diferentes tradições vêem a mão de Deus agindo para terminar com a escravidão. É uma experiência de união em torno da ação salvadora de Deus que leva à liberdade. Por essa razão, a escolha do canto de Moisés e Miriam (Ex 15, 1-21) como motivação na Semana de Oração pela Unidade Cristã em 2018 foi considerada muito adequada. É um canto de triunfo sobre a opressão. Esse tema foi assumido em um hino, A mão direita de Deus, escrito numa reunião de trabalho da Conferência Caribenha de Igrejas em agosto de 1981, e que se tornou marca do movimento ecumênico na região, traduzido para numerosos diferentes idiomas.

Como os israelitas, os povos do Caribe têm uma canção de vitória e liberdade para cantar e é um canto que os une. No entanto, desafios contemporâneos de novo ameaçam escravizar e de novo ameaçam a dignidade do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Embora a dignidade humana seja inalienável, ela fica freqüentemente obscurecida tanto por pecados pessoais como por estruturas sociais pecaminosas. Em nosso mundo decaído, as relações sociais muitas vezes não têm a justiça e a compaixão que honram a dignidade humana. Pobreza, violência, injustiça, o vício das drogas e da pornografia e a dor, o desgosto e a angústia gerados por tudo isso são experiências que distorcem a dignidade humana.

Muitos dos desafios contemporâneos são em si mesmos o legado de um passado colonial e do comércio de escravos. O ferido sentimento coletivo se manifesta hoje em problemas sociais relacionados à baixa auto-estima, violência doméstica e de grupos, e relações familiares prejudicadas. Embora seja um legado do passado, esses aspectos são também exacerbados pela realidade contemporânea que muitos caracterizam como neo-colonialismo. Sob tais circunstâncias parece quase impossível para muitas das nações dessa região escapar da pobreza e do endividamento. Além disso, em muitos lugares existe um sistema legislativo residual que continua a ser discriminatório.

A mão direita de Deus, que tirou o povo da escravidão, deu contínua esperança e coragem aos israelitas, assim como continua a trazer esperança aos cristãos do Caribe. Eles não são vítimas de circunstâncias fora de controle. Testemunhando essa esperança comum, as Igrejas estão trabalhando juntas para prestar serviço a todos os povos da região, mas particularmente aos mais vulneráveis e negligenciados. É o que vemos nas palavras do hino: “a mão direita de Deus está semeando em nossa terra, plantando sementes de liberdade, esperança e amor”.

O cartaz

O cartaz traz pessoas em barcos que simbolizam, sobretudo nesses tempos de crise migratória, pessoas refugiadas que vivem cada vez mais à deriva dos poderes constituídos. Em muitos casos, sem políticas sociais que possam devolver a elas a dignidade roubada, essas pessoas são submetidas a situações de trabalho análogas à escravidão ou, então, comercializadas como escravas.

A arte alude, por um lado, que muitas dessas pessoas refugiadas contam com a “mão” de Deus que, de uma forma ou de outra, os ampara. É também a mão de Deus, presente em águas revoltas, que nos movimenta a agirmos em favor de uma humanidade que não se conforma com a violação dos direitos humanos e da dignidade de irmãos e irmãs de diferentes culturas e etnias.

O barco, símbolo do movimento ecumênico, também remete à comunidade cristã, que tem como desafio navegar, ecumenicamente, rumo à unidade. Entretanto, essa unidade almejada apenas será concreta se todas as pessoas tiverem acesso à justiça, o direito de viver em seus territórios de origem e o direito de viver sua cultura e espiritualidade.

No Brasil, este ano, o material da SOUC foi adaptado pelo Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER), de Santa Catarina. O cartaz está liberado para download, em alta resolução, neste link (em PNG), ou neste link (em PDF).

 Oferta da Semana de Oração

 A oferta da SOUC simboliza o comprometimento das pessoas com o ecumenismo. É uma forma concreta de mostrar que acreditamos realmente na unidade dos cristãos (João 17,21). Os frutos das ofertas doadas ao longo da Semana são distribuídos, anualmente, da seguinte maneira: 40% para a representação regional do CONIC (onde houver), que é destinado a subsidiar reuniões e atividades ecumênicas locais, e 60% para o CONIC Nacional, para projetos de maior alcance.

Vale lembrar que a oferta faz parte da celebração, logo, reserve um momento da liturgia para realizá-la. É um momento de gratidão pelas coisas boas que recebemos de Deus. Ofertas também poderão ser recolhidas nos encontros temáticos, durante a Semana.

Conta para depósito da coleta:
Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4

Sempre que possível, faça depósito identificado: CNPJ: 00.721.266/0001-23.

Fonte: CONIC e CNBB

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