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10ª Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Crateús tem espaço para trocas de saberes

10 de junho de 2014

Sementes, frutos, sonhos, saberes foram compartilhados num cantinho de um outro mundo possível na praça dos Pirulitos em Crateús-CE nos últimos dias 05 e 06 de junho. A X Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária foi uma verdadeira celebração pela vida no campo, com cerca de 190 empreendimentos inscritos, o dobro em relação ao ano passado, cerca de 400 feirantes, cuja maioria são mulheres, entre agricultoras/es e artesãs/ãos.

“Quase tudo foi conseguido com doações. Alojamentos, materiais de cozinha, transportes, etc., além da parceria com as prefeituras dos 20 municípios do território Inhamúns-Crateús, principalmente da prefeitura da cidade sede que disponibilizou todas as secretarias à disposição do evento, especialmente as de meio ambiente e de agricultura”, comentou Erbênia Sousa, coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús.

Agricultores dessas 20 cidades e de Tianguá, Limoeiro, Crato, Fortaleza e Sobral reuniram-se com objetivo de não apenas divulgar e colocar a cidade em contato direto com quem produz de fato os alimentos que chegam ao mundo urbano. Além disso a feira realizada na semana do meio ambiente disponibiliza 100% dos alimentos orgânicos e sem uso de agrotóxicos. Grande parte dos produtos do artesanato são oriundos de materiais descartados pela humanidade ou pela natureza, demonstrando concretamente que sustentabilidade gera riquezas.

No período em que a Cáritas anima a Campanha Mundial Contra a Fome “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”, foi dada mais uma vez na feira a demonstração de que a superação não só da fome de comida, mas também de justiça, de relações de gêneros igualitárias, da relação sustentável com a natureza e diversas outras só podem ser superadas com a valorização do campesinato, da agricultura familiar e de uma relação mais harmônica com tudo que nos cerca.

“Enfrentamos dificuldades de estiagem, escassez d’água como algo peculiar ao nosso bioma Caatinga. Quando começamos a aprender melhor como conviver com o semiárido, adquirir tecnologias de convivência com esse meio, implementarmos quintais produtivos e nos a nos organizar em associações e cooperativas sentimos necessidade de termos uma feira”, recorda Erbênia. No início Cáritas, Fetraece e Secretaria Municipal de Agricultura de Crateús começaram a organizar a feira em 2005. Em 2010 somaram-se à Ciranda mais de 20 organizações da sociedade civil e governamentais.

Os passos da feira

caritas-ceara1No primeiro dia de feira houve assembleia dos feirantes, onde entre outras coisas foi acordado o preço justo para cada produto entre todas/os, para não haver competição e sim cooperação. À noite a ocorreram shows culturais. A programação do segundo e último dia iniciou com espaço para as oficinas temáticas de Medicina Alternativa, Cultura, Reciclagem e Economia Solidária. O momento é pensado para a troca de experiências e saberes entre os feirantes sobre os quatro temas de trabalho que a feira incorpora. 

A oficina sobre Economia Solidária contou com mais de 40 participantes entre os feirantes, além de 27 estudantes da Escola Família Agrícola Dom Fragoso, e debateu experiências de comercialização justa e solidária. Risoneide Amorim, coordenadora de projetos do Instituto Marista de Solidariedade, contribuiu com leituras sobre os conceitos de comércio e a lógica da economia solidária, levantando questões para uma dinâmica coerente centrada na valorização e respeito à vida e ao meio ambiente, como a autogestão e ausência de relações hierárquicas de trabalho, o equilíbrio de comercialização a partir de preços justos e o uso consciente dos recursos naturais, levando em consideração os princípios da agroecologia.

Na oficina de Reciclagem o foco foi o cuidado com o meio ambiente. Na oficina de Medicina Alternativa as experiências se voltaram para o potencial de cura das plantas nativas e a apropriação, disseminação e uso desses saberes pelo povo. E na oficina de Cultura foi debatida a importância da valorização das culturas locais e com isso estimular novas maneiras de nos relacionarmos com a/o outra/o e com o meio ambiente.

Dez anos de acúmulo para uma dinâmica de valorização da vida

caritas-cearaIsaías Pereira também é de Independência, tem 25 anos e veio com a mãe e a irmã para comercializar a pimenta de cheiro, o doce de leite, a cocada e a paçoca. Tudo produzido em casa. É a primeira vez que participam da feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Crateús. “A mãe a vida inteira passou pra gente o valor de consumir o que a gente produz”, conta Isaías. Dentre os jovens da sua geração em Independência, poucos optaram pela vida dedicada à agricultura e bem menos se importam com a produção agroecológica. E ele se preocupa com isso. Pensa o que será do nosso consumo com o aumento do uso de agrotóxicos e do espaço e condições dos trabalhadores que ainda resistem no campo se a mecanização tomar conta de tudo.

Ainda bem que existe gente que compreende a importância da agricultura familiar e valoriza espaços como a feira do território dos Inhamuns. Vanuza Rodrigues é uma delas. Moradora de Crateús participa da feira desde a sua primeira edição em 2004. “Pra gente é um atrativo, conhecer o que está sendo produzido na nossa região e ter uma opção de acesso a produtos saudáveis.”

Antonieta de Sousa agradece. Moradora da comunidade de Filomena, em Crateús, sua produção de cheiro verde, molho de pimenta, polpa de fruta e doce de buriti vai para o consumo próprio, para a venda entre as 62 famílias da localidade onde vive e para a cidade, para onde leva os produtos duas vezes por semana. É a quinta edição da feira que participa. Foi graças a esse espaço que ela conseguiu garantir o aumento dos seus pontos de venda, as vezes nem dando conta de toda a demanda.

por Raquel Dantas, Cáritas Regional Ceará e Eraldo Paulino, Cáritas Diocesana de Crateús.

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